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Entre o jogo intenso dos corpos que se buscam
Sempre de forma distinta
E a palavra que eternamente se repete,
É preciso sempre de novo
A vida.
Essa descomunal intensidade
Que se chama vida


Viviane Mosé. Pensamento Chão. RJ: Record, 2007, p. 56.

A vida

uma porrada,
um abandono,
uma pausa sem respiro,
um nexo desconexo,
um delírio. uma brincadeira
um não ter sempre desejoso de vazios

Amor,

não faças muito barulho

ao entrar

podes acordar o tempo

que embala nossas vidas

como se tudo fosse

eternidade e encantamento.

ausente-presente

o sentimento implora uma tradução,
implora uma palavra que lhe dê toda a vazão
necessária para esvaziar-se do corpo represo.
e do medo de não estar mais tão ausente-presente

Amor

nos vãos de telhas coloniais,
nos quintais de terra e luz,
nos vales e sons,
no tom de cânticos e preces,
no tempo do adeus.
nas memórias entrecortadas,
nas rezas, nas brechas, nos vãos
e abismos sufocados em esperas
ou mesmo Deus: nada
ousou nos traduzir.



(Outono de 1964)

Uhmam

as carnes

desprendendo

os ossos

desprendendo

o corpo

ácido


corrosivo

inverno

venoso

aniquilamento

fértil

solo


Humano.

polpa, um poema

a Viviane Mosé

o sal que põe em minha boca
tem gosto adocicado,
febrífugo para feridas
em processo de cicatrização.

minhas veias dançam
meu corpo envolve
minhas mãos

arraigadas no solo
que um dia há de acolher
o descanso do que fui.

invento nomes, semeio sonhos,
rugas em processo de gestação
infinitamente amanhecendo

sobre o deserto que me veste
sarei minhas despedidas
ao te receber
sarei o meu abandono

no abraço de um corpo plantado
na pulsação de horas
a conceber vidas e mortes. em ciclos.

dentro do meu peito
flui um rio de águas claras.

uma foto da Gabi e um poema meu

lágrimas escorriam
por sobre as pedras
em meus olhos
deslumbrado céu de flores
e vazado coração.