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Sobre Fascismo Potencial

“(...) Há um ódio barato vigente em nossa cultura. Ele é programado em direção aos pobres, aos tachados de loucos, às prostitutas, aos travestis, aos grupos de adolescentes que se vestem de modo inusitado ou pertencem a uma tribo que não a das roupas de marcas sempre aceitas e dos comportamentos estandartizados. Digo “ódio barato” porque é fácil de sentir e dirige-se a quem é marcado como descartável pelo sistema econômico, social e político. Ele se refere à todos aqueles que não se encaixam também no econômico sistema mental de explicações pré-estabelecidas ao qual o fascista serve. (...)”

Para ler o artigo completo da filósofa e escritora Márcia Tiburi, acesse:

O silêncio como linguagem

"Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas."


António Lobo Antunes

Sobre vida e tempo

O Tempo é um dos temas que mais me fascina! Então, me pego lendo e relendo esse trecho da filósofa e escritora Simone de Beauvoir:

"O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; (...) Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."

Lógicas exibicionistas

Cheguei do "trampo" agora a pouco e, enquanto tomo café, fico passando a noite a limpo. Então estava eu cá com meus botões concluindo que as pessoas acabam entrando nessa lógica de ter de encontrar alguém com quem passar o fatídico dia 12 ("dia dos namorados") mais pela pressão dos outros do que por carência e desejo de entrar num relacionamento. Carência (ou desejo) fica me parecendo a última das questões a ser sanada. A primeira é a exibição p/ os outros de "um alguém" que esteja ao seu lado naquela data.
O real relacionamento dá-se, nesse sentido, com o olhar dos outros. Esses outros que te dizem que não pode ser legal se sentir bem sozinho; que se você está sozinho, é porque ninguém quis e, logo, não deve ser uma pessoa boa p/ se relacionar.

Na era atual, fico com a sensação de que solidão, amor, afeto, os sentimentos de modo geral, foram transformados em mercadoria e, ao adquirirem tal forma, tornam-se capital necessário a aquisição de status, imagem e, porque não, miragem?!

Atualização:

Aí você recusa uma cantada em pleno dia dos namorados e isso pesa como se o mundo tivesse acabado porque as pessoas não conseguem entender como você pode ter optado por ficar "sem ninguém" nesse dia... #VaiEntender

Alegria, tempo e solidão

Trechos da entrevista com a filósofa e poeta Viviane Mosé:

"A alegria é a hora de relaxar, de transar, de se divertir. Na hora de alçar novos voos, crescer, é hora de ralar, quando você está com problema, com uns vazios. Se você só tem alegria, você não tem necessidade de crescer, de investir no crescimento. O grande sofrimento é que faz o homem empreender grandes jornadas na sua vida. Você vai tentar mudar se está tudo bem? Não. Não vai. Mas o que fazemos hoje? Vamos direto para a medicação psiquiátrica. (...) O nosso tempo convive demais! Para que a gente convive tanto? Vamos nos isolar mais! Temos que aprender a conviver com a gente mesma. Por que tem que ser aceito por todo mundo? Por que precisa ser famoso? Quem fica sozinho? Na internet talvez você fique. Por mais que esteja trocando conteúdo, está elaborando a sua solidão no seu blog. Temos que redescobrir a solidão, ter espaço para conviver até com a sua melancolia. Isso é bom. (...) Acho que todo mundo sente falta desses momentos, de contemplar, sentir. E sabe o que acho horrível? A pessoa que não consegue dar conta da sua própria vida e a “terceiriza”. Coloca o outro para cuidar. Isso é uma violência contra o outro. Uma violência grave."
Para ler a entrevista completa, acesse:

O perigo dos livros (?)

A colega vem até o meu quarto, vê os meus livros e me pede um emprestado. Eu a pergunto pelo tipo de literatura que ela gosta de ler e ela me diz que está aberta a sugestões. Aí eu empresto "Helena", do Machado de Assis e, depois de 2 meses, ela deixa o livro sobre a minha cama e fico sabendo que ela foi embora da república!! Será isso um grande trauma!? #Confuso

Lá na Lapa

Depois de ter visto minha avó, meus tios e primos, fui à Lapa/RJ. Várias pessoas das mais diversas: gente com “estilo” roqueiro dançando funk em frente a um bar; pessoas no “estilo” de se vestir hippie dançando pagode no bar ao lado. Um cara sem camisa tocando bateria no meio da rua e pessoas no “estilo” nerds pedindo para um músico cantar música afro-brasileira. (Vi quatro roubos e três brigas). No final, por volta das 04h30min da manhã, decido ir para a rodoviária, penso:

– Vou de táxi ou de van?

E respondo:

– Vou de van! Quero ver o povo como é que é!

Aí entrei na van “Cascadura – Norte Shopping – Madureira – Rodoviária”. Logo depois entram duas meninas de blusinha colada e mini-saia, muito alteradas, que começam a gritar p/ as pessoas que estavam na rua:

Menina 1 e 2 – Suburbana direto! Cascadura, Marechal, Penha, Olaria!
Menina 1 p/ Menina 2 – Quem vai pagar?
Menina 2 p/ menina 1 – Paga você agora que eu paguei a ida e a volta! E eu vi tu catar R$ 25,00 do cofrinho!
Menina 1 – Quanto é a passagem, motorista?
Motorista – Até aonde você vai é R$ 4,00!
Menina 1 – Mas aqui atrás não tem lugar; vamos pagar uma passagem só, hein!

Então o motorista vira e diz:

Motorista – Então vem aqui na frente que tem lugar! Dá licença aí, cara, que elas virão aqui p/ frente!

Aí as duas meninas saem de trás da van e entram na frente. O ajudante do motorista que estava na frente passa p/ a parte de trás.

Menina 1 p/ as pessoas na rua – Delícia! Vem que vem que vem!
Possível passageiro 1 p/ o motorista – Passa na Avenida Brasil?
Motorista – Não! Avenida Brasil só na novela!

Aí entram mais 3 meninas e 1 rapaz, também alterados, que começam uma discussão sobre quem iria pagar a passagem de todos.

Menina 3 – Quem vai pagar é você! Tu ta me devendo, tu acha que eu não sei que tu me roubou?!
Rapaz 1 – Que caô, véio! Tem nada disso não!
Menina 4 – Roubou, sim, tu é trambiqueiro!

Então a conversa começa a ficar num volume alto e as 2 meninas que estavam na frente acham que o papo é com elas e começam um bate-boca com o pessoal que acabou de entrar. O ajudante do motorista começa a pedir calma ao mesmo tempo em que começa a falar mais alto. Nesse ponto do bate-boca, o motorista se vira e diz:

Motorista – Olha só, vamos parar com a putaria aqui! Senão eu vou botar todo mundo p/ fora! Se tu roubou a menina, devolve e desce!
Rapaz 1 – Não, não roubei nada não.
Menina 3 – Ta de boa aqui, seu motorista!
Motorista – Então vamos manter os ânimos e calar a boca senão eu ponho pra fora!

Silêncio de todos os passageiros.

Menina 3 p/ ajudante do motorista – Ih, o cara mandou tu calar a boca e tu calou!

Aí a menina 1 vira p/ a menina 2 e começa a conversar – Tu tem amigos? Eu não tenho amiga! Porque amiga, sabe como é que é: pega no teu marido, não vai pegar no teu rabo?! Eu não tenho amigas!

Menina 4 – Toma aí, motorista, a minha passagem e a da Filó! Filó, tu que ta mais aí atrás, levanta a mão p/ o motorista te ver!

Filó levanta a mão.

Menino 1 p/ menina 3 – Cara, eu entrei no Manguinhos irado! O povo ficou bolado porque eu catei R$ 300,00 reais!